Um novo trabalhismo?

A partir do momento que o trabalhismo abraçou as críticas de teor democrático à figura de Vargas, mais se submeteu a um afastamento progressivo e progressista da grandeza de sua representação.

Ao negar a Vargas a legitimidade de seu poder e das suas decisões, se ajoelham diante de anacronismos e a lenta degradação política do tempo monotônico. Isso culmina na infiltração de suas posições por elementos alienígenas da esquerda pós-moderna e seu esfacelamento dentro da arena política brasileira no século XXI, ao ponto de elementos centrais do seu campo simbólico, como o PDT, se transformarem em linhas acessórias de interesses completamente apartados das suas raízes fundamentais.

O fato de personalidades como Ciro Gomes terem se tornado centrais nesse momento descendente do ideário trabalhista é parte de sua revelação. Nunca o líder convicto e disposto a tudo para içar as velas brasileiras na direção de seu destino, sempre o intelectual democrata, com arroubos de dureza inócua, jogado de um lado para o outro pela estrutura neorrepublicana.

Em suma, uma versão mais conservadora, ou retraída, de Leonel Brizola, um grande político e ativista, mas quem também foi incapaz de levar às últimas consequências suas convicções mais ferozes e necessárias, optando, já no crepúsculo de sua carreira, por alinhar-se com posições subalternas ao grande leviatã que jurara derrotar.

Se um “novo” trabalhismo é possível, é forçoso que este seja despido de pudores superficiais do zeitgeist que o corrompe e assuma de modo indelével os princípios axiais de seu povo e de sua filosofia.

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Gaúcho, dissidente, bacharel em Ciências Sociais e tradutor.

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