“Quem conhece Ciro Gomes sabe que ele não passa de uma caricatura de nacionalista, um político adesista que navega entre partidos, causas, sem nunca romper com o consenso liberal.”
A verdade é que Ciro Gomes no PSDB só surpreende os desavisados.
Basta avaliar a trajetória do político nas últimas décadas que, à parte o discurso pseudo-nacionalista, o perfil de política econômica adotado pelo ex-ministro da Fazenda foi o de um receituário neoliberal a lá Consenso de Washington, ajudando a estruturar o terreno da elite financista que hoje predomina na economia brasileira.
Vamos relembrar que, enquanto ministro da Fazenda, Ciro ajudou a criar o Plano Real (coisa que ele até hoje se vangloria), o mesmo projeto que jogou a pá de cal na indústria brasileira e acelerou o processo de reprimarização da pauta exportadora do país ao apostar num câmbio valorizado e num modelo dependente de importados.
As digitais do ex-ministro também estão na promoção da abertura comercial dos anos 90, que, sob o pretexto de modernização, expôs a economia brasileira a uma concorrência externa brutal, retirando toda proteção aos setores estratégicos do país e contribuindo para o desmonte do parque industrial nacional.
Mas isso não pode ser lido como um “Ciro do passado”, um Ciro moldado pelo ideário da época, ‘filho do seu tempo’.
Nos últimos anos, em particular na última eleição, Ciro adotou um tom de ajuste fiscal extremamente radical, com direito à defesa de orçamento de base zero – uma proposta que retira a garantia mínima de orçamento para áreas como saúde e educação – e propaganda de uma reforma da previdência inspirada no modelo chileno ultraliberal do Pinochet, em que substitui o atual sistema de repartição por contas individuais de capitalização, contribuindo para intensificar a ‘roda financeira’ da economia brasileira que ele mesmo ajudou a criar.
Quem conhece Ciro Gomes sabe que ele não passa de uma caricatura de nacionalista, um político adesista que navega entre partidos, causas, sem nunca romper com o consenso liberal.
E ao fim, como todo bom filho da ordem que jurou enfrentar, retorna sempre ao lar de onde nunca saiu.


