“Mas a megaoperação no Rio teve interesse político.”
“Foi para entregar o território ao TCP.”
“Jogada da direita para o Trump intervir.”
Não precisam repetir o óbvio. Todo mundo sabe que política é movida por interesses. O ponto não é esse.
O que muitos não entendem é que, por trás da disputa narrativa, existe uma população inteira vivendo sob ameaça diária: o morador que acorda com rajadas, o trabalhador que passa por barricadas, a mãe que teme deixar o filho ir à escola…
O cidadão médio não está interessado em quem vai lucrar politicamente com a operação. Ele quer apenas um dia de paz.
Essas discussões sobre quem ganhou ou perdeu com a ação, podem (e devem) acontecer depois. Mas não agora. Agora, o que importa é o efeito imediato, da sensação de respiro para quem vive há anos sem poder sair de casa depois do pôr do sol.
O trabalhador, o morador, as famílias que vivem sitiadas pelo crime não querem saber se foi uma jogada política ou se existe um cálculo eleitoral por trás. Eles só querem viver e, se possível, respirar um pouco sem o som dos tiros.
Enquanto analistas e militantes discutem as intenções da operação, há gente que sente pela primeira vez em meses o silêncio nas ruas, o direito de ir e vir, o simples ato de abrir a janela sem medo.
Debates sobre motivações podem esperar. Quem não pode esperar é o cidadão que todo dia sai de casa com um fuzil apontado para a cabeça.


