A esquerda está mais preocupada em defender Lula dessa megaoperação do Cláudio Castro do que em discutir o problema da segurança pública para o cidadão comum.
Tudo eles transformam em disputa política quando o “painho” é colocado na berlinda.
Ainda temos que ouvir Lewandowski dizer que a operação Carbono Oculto “não disparou nenhum tiro na Faria Lima”. Óbvio que não, porque operar contra empresas de fachada do crime (com o próprio filho do Lewandowski advogando para uma delas) é completamente diferente de atuar em pontos de varejo, onde há bandido portando fuzil em cada esquina, apontando para o trabalhador; onde há barricadas; onde é proibido transitar de uma rua para outra; onde o morador precisa pagar taxa para continuar vivo.
Agora eles se dizem preocupados em desmantelar o crime pela raiz. Claro, o correto é isso: fechar as fronteiras, golpear as lideranças, o caixa das facções, etc. Mas é preciso entender que esse é um plano de longo prazo. Enquanto isso não é estruturado, operações de urgência precisam oferecer segurança, mesmo que temporária, ao trabalhador, às famílias e aos moradores, independentemente dos interesses políticos por trás. Sim, pessoas inocentes vão morrer. Mas some quantos inocentes morrem em uma operação e quantos morrem diariamente pelo tráfico, sem haver operações policiais. Ou a gente aceita o massacre em silêncio ou ao menos reage a ele, mesmo sabendo que não é a solução definitiva, mas para garantir uma segurança mínima e sazonal a quem vive constantemente em alerta no dia a dia.
A esquerda ainda está com a mente presa nos anos 70, 80 e 90, quando existia o “bandido Robin Hood” das favelas, que não cobrava taxa, que muitas vezes oferecia atendimento médico, comida e gás ao morador, porque era cria do local, porque nasceu e conviveu com aquelas pessoas. Hoje, o traficante vem de fora. Ele ocupa o morro e impõe leis contra o morador. Então não dá mais para fazer operações “humanizadas” contra essas facções, porque a criminalidade enraizada virou criminalidade ocupante e escalou para um cenário de guerra. E enquanto planos academicistas de inteligência no combate ao crime não são colocados em prática, é necessário frear guerra com guerra.
Não existe espaço para debater direitos humanos ou dialogar em uma situação dessas, pois quando uma organização criminosa rejeita todas as formas pacíficas de regulação e cooptação, e responde apenas à força, os meios não violentos tornam-se ineficazes. Se diálogo, negociação e sanções não impedem ataques contínuos, o Estado precisa recuperar o monopólio legítimo da força para proteger os civis. Não se trata de uma ação militar de vingança, mas de restabelecer a segurança pública e permitir a normalidade social: escolas funcionando, economia local respirando e direitos civis sendo garantidos. A força é um meio para um fim civilizatório, não um fim em si.
Usar força não significa perpetuar o caos já instalado. Uma resposta militar legítima deve ser proporcional, dirigida a neutralizar capacidades hostis e a minimizar danos a civis. Isso deve ser pensado como plano de emergência. Depois, sim, se debate o que fazer para desmantelar as superestruturas do crime.


