“Há momentos em que o Estado precisa agir como Estado. O problema deixou de ser apenas social e tornou-se militar e territorial.”
Essa megaoperação nos Complexos do Alemão e da Penha, escancara algo que boa parte da elite política brasileira se recusa a admitir, de que chegamos a um ponto em que a criminalidade não é mais um problema social isolado, mas um poder paralelo armado, territorializado e geopoliticamente estruturado. As facções não apenas dominam favelas, mas controlam rotas, logística, fluxos e a própria liberdade de ir e vir da população.
Enquanto isso, Lula nega que o governador Cláudio Castro tenha solicitado apoio das Forças Armadas e repete o discurso de que o Exército não deve “subir o morro”. Essa postura não é apenas política, é fuga da realidade. Não estamos mais nos anos 80 ou 90, quando o tráfico ainda era precário e o Estado tinha alguma vantagem. Hoje, o crime opera com fuzis modernos, drones importados de conflitos distantes, táticas de guerrilha urbana e domínio territorial consolidado. Fingir que se pode conter isso com operações limitadas e policiamento “humanizado”, é empurrar o país para o colapso da segurança pública.
Lula e a esquerda preferem lamentar as mortes de suspeitos do que reconhecer os policiais mortos, trabalhadores que saíram de casa para combater um inimigo com poder bélico superior em um trabalho que virou sinônimo de enxugar gelo. É uma contradição moral gritante, pois aqueles que dizem defender o trabalhador, ignoram o trabalhador fardado morto em serviço.
Não se trata de defender Cláudio Castro (um governador ineficiente e oportunista), mas de reconhecer que há momentos em que o Estado precisa agir como Estado. O problema deixou de ser apenas social e tornou-se militar e territorial. O cenário é mais favorável ao tráfico do que ao policial, e isso é sintoma da fragilidade extrema do Estado. Está valendo mais a pena ser bandido do que policial, e essa é uma ferida que não pode mais ser ignorada.
É difícil admitir, mas a verdade é que ou o país encara a ferida de frente, com medidas extremas e, sim, com sacrifícios, ou continuará deixando a ferida aberta, sangrando vidas inocentes todos os dias nas mãos do tráfico. A omissão, neste caso, não é prudência, mas interesse político camuflado de discurso humanitário.
Enquanto a criminalidade se fortalece, alguns se preocupam mais com narrativas eleitorais do que com o sangue de trabalhadores que saem de casa para proteger a população ou oferecer sustento à família. Fingir que o problema não existe é enterrar vidas sob o peso da ideologia e da conveniência política.


